Budismo

ideias rápidas sobre o budismo. O que é o budismo? Histária de Buda. A prática budista. Teorias do budismo. Perguntas frequentes.

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A. Histária de Buda

1. O que é o budismo?

A palavra budismo vem de budhi, que significa despertar; neste sentido, o budismo é a filosofia do despertar. O budismo chama-se assim porque o seu iniciador foi um homem que, num momento da sua vida, se iluminou, despertou, e foi denominado Buddha (o que despertou). Budistas são os seguidores de Buda.

2. Histária de Buda

- Buda foi um homem que nasceu no ano 563 antes de Cristo. Chamava-se Siddhartha Gautama. Desde jovem mostrou grande inteligência. Segundo os costumes da época, casou-se aos 16 anos. Teve uma esposa e um filho. Vivia no norte da Índia num ambiente luxuoso. Mas viu o sofrimento alheio, teve uma crise e decidiu partir em busca da verdade. Abandonou a família e sentou-se aos pés dos mestres religiosos da sua região. Foi a grande saída. Tinha 29 anos.

Esses mestres ensinaram-lhe muitas coisas, mas ninguém conhecia a causa do sofrimento nem como superou-lo. Depois de seis anos de estudo, meditação e forte ascetismo, teve uma experiência em que a ignorência desapareceu e, repentinamente, compreendeu. Desde esse dia foi chamado Buda, o Iluminado. Esta iluminação teve lugar ao pé de uma figueira que passou a ser árvore sagrada do budismo.

Desde então, dedicou-se a viajar pelo norte da Índia, ensinando o que tinha descoberto. A sua compaixão e paciência foram lendárias e teve milhares de seguidores. Morreu em 483 a.C., aos oitenta anos, doente mas feliz e em paz.

3. Buda foi um deus?

Não, não foi um deus. Buda não se proclamou Deus nem mensageiro de Deus. Foi um homem que se aperfeiçoou e ensinou que, se seguirmos o seu exemplo, também podemos alcançar a perfeição. Antes da iluminação foi um yogui e praticou yoga; depois insistiu na meditação.

4. No budismo adora-se Buda?

Os budistas não adoram nem fazem oferendas a Buda. Não lhe prestam culto de adoração, mas de admiração e respeito. Como exemplo, vejamos o significado de alguns sómbolos usados no budismo: as estátuas de Buda convidam a desenvolver paz e amor em nós; o perfume do incenso recorda a influência penetrante da virtude; a lámpada assinala a luz do conhecimento; as flores que murcham simbolizam a impermanência; uma reverência expressa gratidão a Buda pelos seus ensinamentos. Esta é a natureza do culto budista.

B. A prática budista

1. Como é a ética do budismo?

A ética budista baseia-se nos cinco preceitos: respeitar a vida, não tomar o que não me é dado, conduta sexual correcta (que não seja prejudicial para outros ou para mim), não falar de maneira danosa (mentir, rudeza, ostentação, mexericos, conversa vê) e não tomar intoxicantes (que alteram a mente e péem em risco de quebrar os outros preceitos).

2. As quatro nobres verdades

- No budismo recebem este nome as seguintes afirmações:
  • Tudo o que existe está sujeito é dor, ao sofrimento.
  • A origem do sofrimento é o desejo (a sede, a concupiscência, a ânsia de viver).
  • A dor pode ser suprimida (apagando esses desejos).
  • Para extinguir o sofrimento, deve seguir-se o caminho dos oito passos.

3. O óctuplo caminho

- No budismo chama-se assim ao caminho que leva ao fim do sofrimento mediante a elevação da mente. Trata-se de purificar a opinião, as ideias, a linguagem, a acção, a memória, a meditação, etc. Em resumo: sabedoria, conduta ética e meditação pura.

4. O que se pratica no budismo?

Um budista praticante caracteriza-se por duas actividades: o estudo dos ensinamentos de Buda e o exercício do óctuplo caminho, principalmente a meditação.

5. Como é a meditação no budismo?

É algo importante e peculiar. Umas vezes é uma técnica de yoga, outras um esforão por não pensar em nada. é diferente da oração ou meditação cristãs.

6. O que é o nirvana?

No budismo, o nirvana é a meta definitiva que um budista procura. Depois de anos de exercícios de yoga, sacrifécios e meditação, o budista consegue apagar em si todo o desejo, até o da vida, e entra assim numa situação nova chamada nirvana, onde se superou o sofrimento.

C. Teorias do budismo

1. Onde se encontra a doutrina do budismo?

Os 84.000 ensinamentos de Buda estão recolhidos nos textos chamados Sutras ou Suttas. A colecção em péli está completa. Também são abundantes os textos em sónscrito.

2. Como é a existência no budismo?

No budismo nada é permanente, tudo flui. Não existe Deus, nem as coisas, nem os indivíduos, nem os seres. Só existe a mudanãa, juntamente com o sofrimento, que se deseja mudar.

3. Como é o indivíduo no budismo?

No budismo cada homem é um composto de matéria, sensações e percepções, subconsciente e consciência. E estas coisas eliminam-se e reassociam-se a cada instante segundo a lei do karma, de modo que o indivíduo não permanece.

4. O que é o karma?

O karma é a lei de causa-efeito que regula a mudanãa. Se se age bem, o novo composto humano sai melhorado. Deste modo, a reencarnação é contínua sem que a morte a detenha.

5. A cadeia das doze causas

- Juntamente com as quatro nobres verdades, esta cadeia da geração condicionada ocupa um lugar central no budismo teórico. Por isso, em alguns mosteiros budistas aparece representada uma roda dividida em doze sectores. Estas causas ou condicionantes originam-se no interior do homem: a ignorência, o subconsciente e a consciência, os sentidos e sensações, e o desejo sexual. A saída para o exterior é bastante óbvia: do desejo sexual surge a união e dela a existência; da existência vêm o nascimento, a velhice e a morte, com o sofrimento que os acompanha.

D. Perguntas frequentes

1. O budismo é uma religião ou uma filosofia?

O budismo procura a perfeição do homem na sua mente e no seu amor aos outros; mas não faz referência a Deus. Por isso, não é religião, mas filosofia. Pode confundir-se com uma religião porque abarca toda a vida e assinala uma meta final do homem, mas sem Deus. O budismo é uma escola de sabedoria que elabora métodos que conduzem ao nirvana seguindo caminhos de meditação e penitência.

2. O sofrimento e a morte no budismo?

- A morte e a dor são os grandes problemas que o budismo quer resolver. E, em ambos os casos, a solução que oferece é a supressão do desejo.
  • O óctuplo caminho são técnicas de meditação e sacrifécio que pretendem alcançar a insensibilidade diante da dor, de modo que, embora o sofrimento esteja presente, não exista insatisfação na pessoa.
  • Para resolver o problema da morte, o budismo recorre é teoria da reencarnação contínua, que termina quando se consegue superar o desejo de viver.

3. Alguns problemas do budismo

- Há várias questões em que o budismo encontra dificuldades:
  • A ausência do eu, diluído na mudanãa contínua. A ausência dos seres, igualmente esbatidos num fluxo incessante. (As coisas e as pessoas insistem em afirmar a sua existência real, contradizendo estas teorias budistas).
  • A visão algo negativa do mundo e da perfeição humana: o seu mundo está cheio de dor e a sua perfeição consiste em apagar os desejos. A meta final também é um tanto pobre: não sofrer. (A realidade mostra-nos que no mundo há muitas coisas belas e muitos desejos nobres que não convém suprimir).
  • A ausência de referências a Deus tira categoria ao budismo em comparação com as religiões.

4. Escolas budistas

- Desde a antiguidade, o budismo dividiu-se em muitas escolas, que formam dois grandes ramos: o budismo Hinayana e o Mahayana. Este último introduziu importantes variações tomadas em parte do hinduísmo. Citemos duas:
  • Para o budismo Mahayana, o santo que consegue chegar ao nirvana não entra ali, mas por compaixão fica fora, ajudando os outros a libertarem-se.
  • Este budismo transforma Buda num deus, e os budas despertos em salvadores. Para o budismo Vajrayana, os budas seriam seres sobrenaturais que criam o mundo pelos poderes mágicos da sua mente, como deuses em diversas escalas.

5. Uma citação do cardeal Ratzinger

"O budismo, na sua forma clássica, não tende de modo algum ao acto de autotranscendáncia que é o encontro com o «totalmente Outro, com o Deus que me fala e que me chama ao amor. O característico do budismo é, antes, uma interiorização radical; não é um acto que leva a sair de si mesmo, mas uma entrada na própria interioridade". (O cristão na crise da Europa, 73).