Pobreza
ideias rápidas sobre a pobreza. O que é a pobreza. Benefécios. Pobreza interior e exterior. Exemplos.
1. O que se entende por pobreza?
Com a palavra pobreza podem entender-se várias coisas:
- A pobreza como facto ou situação exterior exprime a carência ou escassez de algo. Assim se fala de pobreza económica, cultural, informativa, etc.
- A pobreza enquanto virtude exprime uma qualidade interior. é o hábito de estar desprendidos das coisas materiais, dando-lhes um valor relativo e usando-as de modo adequado aos fins do homem. é desta capacidade que falamos aqui.
2. A pobreza consiste em ter pouco dinheiro?
Isto alude é pobreza como facto ou situação externa. Ter pouco dinheiro é um facto exterior a nós; aqui falamos da pobreza enquanto virtude, como qualidade que nos beneficia interiormente. As posses -abundantes ou escassas- não trazem vantagens interiores.
3. Pobreza equivale a sobriedade nos gastos?
A sobriedade nos gastos é um aspeto e uma consequência da pobreza. A virtude da pobreza abrange um campo de ação maior, que não se limita a gastar com moderação. Inclui também o desprendimento interior do que se possui e o emprego correto dos bens. Por exemplo, procurar que as coisas durem é um exercício corrente de pobreza que mal cabe no conceito de sobriedade.
4. Por que é necessário praticar a pobreza?
A pobreza é uma virtude necessária porque os bens materiais podem prender o coração humano. Umas pulseiras, um produto tecnolágico, roupa ou caláado de marca podem atrair tanto o coração humano que o escravizam, e o homem dificilmente se livra de lhes prestar atenção. E são objetos. Objetos que dizem: "s meu, às meu escravo, às obrigado a comprar-me, a ligar-me, a olhar para mim, a usar-me". Não queremos ser escravos e decidimo-nos a moderar esses apetites exercitando a pobreza.
5. Benefécios da pobreza?
A pessoa que adquire o costume de moderar os desejos de bens materiais goza de várias vantagens:
- O desprendimento dos bens materiais liberta o coração de amarras e permite-lhe avanãar para os ideais sem se desviar do caminho pelos atrativos que encontra. Com a virtude da pobreza, aumenta a alegria, diminui a preocupação. São consequências de ter o coração mais livre.
- A pobreza poupa esforãos.- As coisas chamam a atenção, convidam a ser tomadas, e se alguém se deixa levar, acaba por esquecer as suas metas para dedicar tempo e energias a conseguir objetos. Talvez o benefécio mais evidente da pobreza seja que esta virtude poupa gastos, e esse dinheiro economizado pode empregar-se em obras mais proveitosas.
- A pobreza ajuda a tomar decisões acertadas. Uma pessoa escrava do material procurará benefécios materiais, e isto às vezes não é o conveniente.
6. mau ser rico?
Ter muitos bens ou poucos não importa demasiado para ser melhores pessoas. O que interessa é não estar apegados ao material, e esta escravidão pode dar-se mesmo dispondo de pouco. De qualquer modo, quem possui muitos bens tem duas cargas adicionais:
- deverá estar mais prevenido neste terreno porque tem mais possibilidades de se prender às coisas, pois possui-as em abundáncia e de qualidade.
- O rico deve administrar as suas posses tirando partido delas para o bem dos homens. De modo que o dinheiro traz consigo a obrigação de o empregar corretamente. Neste sentido, as riquezas são boas porque permitem fazer o bem.
7. A pobreza é só interior?
Qualquer virtude é uma qualidade interior, que se exercita interna e externamente. No caso da pobreza:
- O aspeto interior consiste em estar desprendidos dos bens materiais e desejar usó-los corretamente.
- As aplicações exteriores referem-se ao emprego adequado desses bens.
8. Como praticar a pobreza interiormente?
Vejamos alguns exemplos:
- Não se queixar quando falta o necessário.- Aqui a queixa assinala um desgosto por essa ausência. Se o coração estivesse desprendido, simplesmente suportaria a carência sem mais. A queixa mostra um desejo intenso por esse objeto.
- Não ter algo como próprio.- A pobreza convida-nos a possuir sem sermos possuidos, a guardar certa distância das coisas, sem as considerar demasiado próprias.
- Pensar antes de comprar, sem se deixar levar pela atração dos objetos.
9. Como exercitar a pobreza exteriormente?
Há várias possibilidades:
- Não comprar coisas supérfluas.- Se é supérfluo, por que se quer? Porque há algo no objeto que atrai, convidando a possui-lo embora seja inútil e caro. Talvez não seja preciso dispor do último modelo ou do mais luxuoso.
- Cuidar das coisas.- Procurar que durem, que se mantenham em bom estado, evitando assim gastos de compras e reparação. Isto inclui cuidar também das coisas alheias e péblicas. Por exemplo, não pintar nas paredes nem sujar as ruas.
- Fechar torneiras, apagar luzes, etc., evitando gastos desnecessários. Isto e o anterior podem incluir-se antes na virtude da austeridade.